Sábado, 5 de Junho de 2010

Vidas...

Entre a ficção e a realidade, existe um mundo criado por nós.
Entre a ficção e a realidade existe muito mais do que um dia podíamos ter imaginado…
O mundo está ao nosso alcance e quase não damos por ele...
Tentamos aprender em seguir no Amor e para o Amor.
Tentamos ser caridosos.
Tentamos conseguir o melhor.
È fácil falar de Amor.
É fácil crer em Deus.
É fácil, elevar pensamentos.
É fácil cair.
É fácil chorar.
È tão fácil sentir dor.
E tão difícil é reconhecer o que poderemos esperar do mundo...o que temos ao nosso lado, e empertigados nem damos conta da felicidade que temos.

Uma alma, sôfrega de morte, desencanta na brusquidão da vida.
Diz:

Não quero morrer assim!
Levanto-me de manha, com vontade de morrer!
Olho para os meus pulsos, e o prazer de me cortar está-me nestas veias...
Não, não posso!
Mas que prazer sinto no fio da lamina, que me corta, me acobarda nesta imensidão de morte!
Mais um dia, passa em que quero morrer!

Uma alma, sôfrega de morte, desencanta na brusquidão da vida.
Diz:

Oh Droga é que é, que tu me fizeste, meteste-me dentro de uma prisão...
És boa!
Uma loucura e eu gosto tanto de ti...
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe e eu só por te amar, parece que nasci do Amor que há entre Deus e o Diabo.
Não, não posso, não devo...
Pedes o que não te posso dar...
Pois por te amar quase me perco e me desgraço
Odeio-te tanto que gostava não te ver mais, pois sempre que estive contigo, não ficas tempo nenhum, simplesmente vais-te embora sem nunca avisar, levando por momentos á morte, á vida.não sei...
Chega de brincares com os meus sentimentos, oh droga!
Não te quero mais! Quero! Não quero! Quero!

Uma alma, sôfrega de morte, desencanta na brusquidão da vida.
Diz:

Deus, sou grande!
Consigo suportar esta dor, que me encurrala nesta cadeira de rodas.
Cedo me tiraste o que mais gostava de fazer. Correr!
A doença que me leva dia após dia, e me tira forças nesta articulações que ainda assim fortalecem de vida, que teimosamente querem reconhecer a esperança...
Os meus amigos também em cadeiras de rodas, há mais tempo que eu dizem-me que podemos nos divertir imenso.
Afinal ainda posso correr!
Querem fazer uma corrida em duas rodinhas.
Este mundo é muito diferente do que já tive.
Hoje tenho diariamente um professor só para mim.
Faço fisioterapia todos os dias, e encontro a coragem todos os dias, já consigo recuperar um milímetro de avanço entre os meus pés...
Adquiro mais manejamento na parte informática.
A minha cabeça anda mais rápido do que algum dia irei conseguir nesta cadeira...é um bênção a informática.
Percorro mundos. Mundos jamais inalcançáveis por mim um dia...

Uma alma, sôfrega de morte, desencanta na brusquidão da vida.
Diz:

Todos os dias oiço uma sirene.
Tento imaginar que moro ao pé dos bombeiros lá na minha terra.
Electricamente as grades abrem-se...
Tenho uma pia onde me lavo, para sair e seguir ate á serralharia.
Aprendo muito.
Vejo que é dia, não sei se chove ou se faz sol.
Não sinto o cheiro de um ar qualquer.
O mofo, a humidade, fazem parte do ar que respiro.
Na serralharia, o cheiro da madeira é o que se aproxima mais a uma vida normal.
Mas as 16h, tenho visitas.
Através de um balcão, tocamo-nos...as conversas são sempre as mesmas...conta-se como a família se encontra.
Tenho 3 filhos...odeiam-me!
Não me vêem ver...fui mau!
Mas este tormento não me larga e quero voltar a faze-lo! Já disse ao Juiz!
O bolo que me trazem é todo estraçalhado antes de mo entregarem...e como-o como se fosse migalhas...

Uma alma, sôfrega de morte, desencanta na brusquidão da vida.
Diz:

Não me venham ver amanha!
Este é o terceiro dia de quimioterapia, e as dores são imensas...
Adoro-vos, mas entre a dor de tudo isto que me percorre pelo corpo e a dor da morte que me espera...por favor...não tenho forças.
Não me venham visitar amanha!
Por favor, digam á minha filha que a adoro, a amo imenso.
Zé meu bom marido, desculpa-me por estar doente, Amo-te!
Não aguento mais.
Adeus!
 
E neste momento eu, uma expressiva da propria alma...tu, quem sabe, um simples leitor...
E neste momento, num gesto mudo...
Proclamo, um Adeus, do minuto que acabou, e um Olá do segundo que acabo por iniciar...num pensamento incredulo e de dor...
 
Vidas que passam.
Vidas que nao exprimentamos mas de alguma forma vivemos, mesmo que as queiramos esconder de nós, de uma sociedade...
 
 
Chego á conclusão que ainda pertencemos a uma utopia de vida desconcertada do que é certo ou errado, fazendo de nós seres tao pequenos...
 
 
Só me ocorre, deixar um conselho de um Amigo....
“Dá um passo à frente das ilusões que persegues. Dá um passo à frente do drama que crias por não atingires todos os teus objectivos. Dá um passo em frente de ti mesma e vê que há outras realidades para além da tua.”

publicado por Susana Ber. expressar às 23:59
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1 comentário:
De Vitor Santos a 6 de Junho de 2010 às 20:44
Parabéns Susana

Lindo blog que tu tens, amiga.

Já guardei o endereço nos favoritos. E vou tentar seguir o teu blog.

um bj fraterno
Vitor


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